ESPAÇO MEMÓRIA FICOU MAIS RICO



O Espaço Memória acaba de receber mais uma doação de espólio. a Empresa Domingos Paulino & Machado Lda. acaba de doar à nossa associação uma máquina mecanográfica que foi muito utilizada no registo contabilistico de muitas empresas nas décadas de 60 e 70 do século passado.
Trata-se de uma máquina "ASCOTA" que foi comprada em segunda mão à cerca de duas décadas, por 25.000 escudos. Fica assim mais rico o nosso Espaço Memória com centenas de peças e artefactos, fruto da generosidade de muitos simpatizantes que querem ajudar a manter viva a nossa memória colectiva.
Estamos, neste momento, a sistematizar o inventário de todo o espólio cedido cujo resultado iremos aqui apresentar gradualmente. 



ATRIUMEMORIA PRESENTE NO 85º ANIVERSÁRIO DA SOCIEDADE DE RECREIO CEPANENSE



Este sábado 21 de Maio. Pelas 21h30, no Salão Paroquial de Cepães será inaugurada uma Mostra Colectiva de Artes Plásticas da responsabilidade das Galerias Belart (Atelier Prof. J.J.Silva) e da Atriumemoria através do seu Espaço Memória, com peças e artefactos de outros tempos, reavivando uma memória colectiva que esta associação cultural quer preservar e dinamizar.

O evento será animado com a actuação do Grupo de Jogo do Pau da S.R.C., poesia por Sandra Ribeiro e Ana Martins, acompanhadas à viola por F. Miguel Freitas e a percussão de César Silva, seguir-se-á um momento musical protagonizado por Celina Tavares e José Miguel Costa. O Grupo “Leões do Ferro” actuará com números de dança e para finalizar tocarão as concertinas de “Ribeiro e Amigos”.

A exposição ficará aberta ao público durante alguns dias podendo ser visitada livremente pelos interessados.

AS ALMINHAS UM PATRIMÓNIO A PRESERVAR


Alminhas, Ribeiros

As Alminhas são pequenos monumentos religiosos e são um dos vestígios mais importantes da arte popular portuguesa.
Não se tem qualquer certeza acerca da sua origem, mas sabe-se que a crença em deuses protectores dos caminhos e das encruzilhadas é muito antiga.
Como sabemos, antigamente, as viagens eram muito perigosas e os viajantes procuravam a ajuda dos deuses para os livrar dos perigos que tinham que enfrentar.
Os antigos gregos, ao longo dos caminhos e das encruzilhadas, ergueram pequenos monumentos dedicados a Apolo, Hécate e Hermes (divindades protectoras dos viajantes ).
Os Celtas também prestaram culto às divindades protectoras dos caminhos e encruzilhadas.
Os Romanos construíram pequenos altares nas encruzilhadas, principalmente, as que davam acesso aos campos de cultivo. Os Lares Compitales, deuses das encruzilhadas, eram venerados, sobretudo pelos camponeses e pelos escravos, mais tarde, o culto rural passou para os centros urbanos, erguendo-se altares, primeiramente, no cruzamento das povoações e seguidamente nas margens das estradas.
Alminhas da Batoca, Aboim

Durante muito tempo pensou-se que as Alminhas substituíram os altares dedicados aos Lares Viales e aos Lares Compitales dos romanos. No entanto pensamos que não há qualquer relação entre eles, porque e apesar da sua localização ser quase a mesma, expressavam mensagens diferentes. Enquanto os altares romanos tinham como finalidade a protecção dos campos e dos viajantes, as Alminhas apenas pedem a oração dos que por elas passam, em favor das almas do Purgatório.

Podemos afirmar que mil anos separam os altares romanos e o aparecimento das Alminhas. Só a partir do século XV aparecem efectivamente as representações artísticas do Purgatório, antes só muito raramente aparecem e não têm um modelo definido.

Os concílios de Leão ( II ), Florença e de Trento vieram reforçar o dogma da existência do Purgatório, mas foi, principalmente, a partir do concílio de Trento, em 1563 que este dogma foi fortemente fortalecido e difundido, assim como o foi o costume da “ encomendação das almas “.

O culto das almas e o fascínio que os caminhos e encruzilhadas sempre provocaram nas pessoas, contribuíram para que as Alminhas ocupassem o lugar dos anteriores altares romanos, mas isto não explica que as Alminhas tenham tido origem nos referidos altares.

Alminhas de Pondres, Queimadela

As Alminhas são uma das expressões mais originais da arte popular portuguesa e expressam a religiosidade do nosso povo.
O povo chamou ao oratório, ao painel ou retábulo com a representação do Purgatório, normalmente através de pintura, Alminhas. Estas representavam as almas que ardiam no fogo do Purgatório.

Situadas à beira dos caminhos, nas bermas das estradas, nas encruzilhadas, na frontaria das casas ou dos pátios, encontram-se por todo o país, embora em maior número no Norte e Centro.

As almas que ardem no fogo do Purgatório, simbolizado por uma fogueira, rezam para assim pedirem o auxílio dos santos como S.José, S.António entre outros, do anjo S.Miguel Arcanjo, de Jesus Cristo crucificado, da Virgem Maria e do Espírito Santo e pedem também às pessoas que por lá passam que rezem por elas, para poderem ir para o Céu.

As divindades representadas eram escolhidas pelos artistas ou por quem as mandava construir.

No livro Pintura em A Arte em Portugal ,vol. 2, pág. 99, pode-se ler: “As almas são normalmente figuradas como bustos humanos de adultos (...) de ambos os sexos, de todas as categorias, vocações e raças (...)”. As crianças, segundo a crença, eram puras de alma e sobem de imediato ao Paraíso, sem passarem pelo Purgatório, por isso não aparecem representadas nas Alminhas.

Alminhas, Cepães

Em Portugal, as primeiras representações artísticas do Purgatório só aparecem a partir do século XVI. Durante o séc. XVII, os quadros do Purgatório espalham-se mais ou menos por todo o país. No entanto, é difícil encontrar, nos nossos dias, painéis seiscentistas. No séc. XVIII as pinturas ao ar livre das cenas do Purgatório espalharam-se, em grande número, por muitos caminhos e povoações. Nos séc. XIX e XX as pinturas do Purgatório mantiveram-se. No nosso séc. quase todos os retábulos foram substituídos por painéis de azulejos.

Muitas Alminhas que, não possuem grades de protecção, são destruídas por pessoas ignorantes e maldosas e como quem detém o poder parece que desconhece o seu valor cultural, permite que isso aconteça. Neste momento, grande parte das Alminhas perderam os seus retábulos ou painéis e só lhes restam os oratórios.

Fernando Roque





"OS ESPIGUEIROS SÃO MONUMENTOS DE ARTE POPULAR QUE EVOCAM A CULTURA DO MILHO



Espigueiro em Crasto, Ribeiros


Um pouco por toda a região do noroeste peninsular, surge frequentemente na paisagem rural um tipo de construção bastante característica que, pela graciosidade que possui, tornou-se num elemento emblemático daquela região – o espigueiro!

Também designado por canastro ou caniceiro em função dos materiais empregues na sua construção, o espigueiro constitui um celeiro onde o lavrador guarda as espigas. De posse particular ou comunitária, a dimensão do espigueiro reflecte a grandeza da produção que normalmente é efectuada. De modo idêntico, a sua ornamentação depende da fantasia do construtor e dos recursos do proprietário.

Os espigueiros encontram-se, em regra, implantados em zonas onde o terreno é mais elevado de forma a permitir a secagem do milho. Nas imediações, encontra-se a eira que aproveita as características de um solo mais plano e lajeado. É aí que se malha o centeio onde se desfolha o milho, dando lugar às alegres descamisadas que constituíam um pretexto para a escolha do namorico.

A origem deste género de construções encontra-se principalmente ligada à introdução da cultura do milho na Península Ibérica de onde irradiou para o resto do mundo. Outrora designado por “trigo índio”, o milho deverá ter-se originado do México de onde, há cerca de quinhentos anos, foi trazido nas naus de Cristóvão Colombo. Desde tempos imemoriais, o milho constituiu a base da dieta alimentar dos maias, incas e astecas que o incluíam nos seus ritos ancestrais e o celebraram nas suas manifestações artísticas.

A sua implantação, entre nós, registou-se sobretudo na região do Minho e da Galiza, facto a que certamente não foram alheias as condições favoráveis à sua produção e onde prevalece a cultura de regadio. Com o decorrer do tempo, o cultivo do milho passou a estender-se a outras regiões, nomeadamente no centro do país onde predomina a cultura de sequeiro.

Em relação ao espigueiro, estes apresentam-se das mais variadas formas e dimensões de acordo com as quantidades de grão a armazenar, as regiões onde se encontram e os materiais disponíveis para a sua construção. Em localidades onde a pedra escasseia, os espigueiros são geralmente construídos em madeira. Porém, atendendo à sua predominante distribuição espacial, a maior parte encontra-se construída em pedra e madeira. A sua fisionomia é variada, existindo sob formas rectangulares, quadradas e redondas. Contudo, ele apresentou-se inicialmente sob uma forma mais rudimentar, na maioria das vezes feito apenas de caniços com cobertura de colmo, tal como aliás sucedia com as habitações mais humildes. E, as técnicas empregues na sua construção evoluíram à medida que se foi constatando a melhor forma de secar o cereal mantendo-o simultaneamente fora do alcance de elementos indesejáveis.


Espigueiro da Batoca, Aboim


Constituindo a secagem a sua principal função, o espigueiro é construído de molde a proteger as espigas da humidade, salvaguardando-as da intromissão dos pássaros, insectos e roedores, assegurando ao mesmo tempo o necessário arejamento do seu interior. E, este cuidado é tão importante quanto adverso poderá ser o inverno que se aguarda pouco tempo após a colheita do milho e as suas descamisadas.


Espigueiro em Romeu, Golães

 Tomando como modelo de referência os existentes no Minho, o espigueiro é geralmente construído em madeira e pedra, quase sempre em granito extraído na região. Encontra-se frequentemente assente em pilares que o elevam do solo, sobre os quais assentam os dintéis que são os esteios que suportam toda a estrutura e onde se encaixam as aduelas. Estas apresentam-se de forma intervalada para permitir, através das fissuras propositadamente deixadas abertas, efectuar-se o arejamento do seu interior. Para prevenir o acesso das formigas, uma pequena fossa com água rodeia as sapatas onde assentam os pilares do espigueiro. De igual modo, os “torna-ratos” protegem-no dos roedores. Regra geral, são cobertos de telha, existindo porém alguns que se apresentam com cobertura de colmo ou em pedra, sendo mais frequentes nestes casos em lousa e piçarra.

Texto: Carlos Gomes
Jornalista licenciado em História



CAPELA DE NOSSA SENHORA DE GUADALUPE



A Capela de Nossa Senhora de Guadalupe localizada no Lugar do Terreiro, freguesia de Cepães, corresponde a um dos mais antigos monumentos religiosos conhecidos no concelho de Fafe.

Trata-se de um belo exemplar da arquitectura seiscentista, alpendrada, corpo longitudinal de uma só nave rectangular e fachada rematada em sineira; incorpora sacristia à esquerda do portal de verga recta ostentando a seguinte inscrição: “RDA NO ANNO 1698”, gravada no lintel.

Desconhece-se o ano preciso da fundação deste templo. Acreditamos que tenha acontecido em inícios do século XVII; a data do portal é referente à primeira reforma da Capela, (a face interior foi gravada outra data, 1697)

Segundo Maria Miquelina Summavielle, que em 1993 publicou “As Capelas do Concelho de Fafe”, o monumento teria visto o seu alpendre aumentado em 1897; Já no século XX, em 1959 verificou-se nova reforma da Capela com a construção do corpo lateral sobrepujado pela torre sineira.

Em 1726 Francisco Craesbeeck refere que a Capela de Nossa Senhora de Guadalupe é do povo e filial da Igreja da freguesia, de invocação de São Mamede, vigairaria do Mosteiro de Pombeiro.


A fachada apresenta dois corpos: o do alçado frontal da nave com pilastras nos cunhais encimado por pequena sineira assente em cornija e o da sacristia, com portal em arco de volta perfeita, com cornija rematada por sineira de maior dimensão, arco pleno ladeado de aletas.

O alpendre é sustentado por dois pilares quadrangulares e colunas toscanas, corrido por bancos de granito e cerrado por murete interrompido a Norte para dar lugar ao portão gradeado em ferro e escadaria de acesso com sete degraus; encostado à fachada principal existe um magnífico púlpito de base quadrangular, sobre míssula e balaustrada em granito com faces emolduradas com almofada centrada por ornato floral; o pavimento é constituído por lajes de granito.

No interior o Altar-mor assenta em degrau de pedra com retábulo de talha policroma que acolhe a imagem da padroeira Nossa Senhora de Gudalupe, ladeada por duas míssulas com as imagens de S. Mamede e S. João Baptista; pequenas imagens da Senhora do Rosário e Menino Jesus ladeiam a Imagem Central.

A capela sofreu diversas reformas que alteraram a estrutura original, apesar destas transformações o templo mantém a sua traça do século XVII e as obras de consolidação e restauro garantem a sua boa conservação.

Temos em Cepães uma pérola do escasso Património religioso seiscentista conhecido neste concelho de Fafe que merece ser visitado e apreciado.