OS ÚLTIMOS FERREIROS DE FAFE


Oficina de ferreiros "Os Dois Irmãos", Cepães Fafe

Prosseguindo a actividade de recolha do Património Imaterial e das actividades artesanais, algumas à beira de se extinguirem. A Atriumemória vai em breve realizar um trabalho de recolha na oficina de ferreiros "Os dois Irmãos" localizada na freguesia de Cepães.

O PATRIMÓNIO TERIA MAIS ENCANTO...

Igreja Paroquial e Cepães, Fafe

São os sinais da modernidade, do desenvolvimento: fios para tudo e para todos, suspensos por todo o lado, sem olhar ao impacto visual que causam, poluindo a paisagem. O espaço aéreo está cada vez mais carregado destes cabos condutores do bem estar comum.
É sabido que esta prática é mais barata e de mais fácil manutenção. Contudo, deveria haver mais cuidado nas suas trajectórias, evitando perturbar o nosso Património.

Igreja Paroquial de Fareja


Brasão da Capela de S. Bento, Calvelos, Fafe


ESPAÇO DA MEMÓRIA



Grupo de fafenses promove “Espaço da Memória”

Um Grupo de fafenses agregou interesse em redor de uma causa comum; Um “Espaço da Memória”.

O gosto por vivências passadas, leva-os a angariar velhas peças representativas de um quotidiano desaparecido, que querem preservar e transmitir às gerações futuras.

A ideia surgiu há cerca de dois anos, quando José Silva (J.J.Silva), mentor do projecto, conseguiu sensibilizar outros conterrâneos para a necessidade de salvaguardar a memória colectiva de um Povo, que, pouco a pouco vai perdendo a sua identidade genuína. Filipe Sampaio, Armando Marques, Teresa Silvestre, Soledade Vaz entre outros, lançaram mãos à obra e desenvolvem um meritório trabalho de recolha de espécies etnográficas e outras que nos lembram uma História recente cujos “artefactos”, os mais jovens, não conhecem.

“São peças do passado que o presente descarta como ironia deslavada, onde o sarcasmo é pura e simplesmente sinónimo de ignorância e marasmo”, referiu J.J. Silva.

Centenas de espécies “museológicas” foram já recolhidas, por doação ou empréstimo. Algumas encontram-se expostas no exíguo espaço das Galerias Belart.


Os responsáveis querem agora fazer a catalogação de todo aquele espólio, onde, só como exemplo, vimos: faianças, bicicletas, relógios, televisores, gira discos, instrumentos de trabalho e tantos outros testemunhos vivos de um passado não muito longínquo que para muitos já caiu no rio do esquecimento.

“Por vezes fazem-se coisas de grande porte, gigantescas, acompanhadas de gestos grandiosos, mas esquece-se das coisas pequenas, coisas que não dão nas vistas, não chamam a atenção… Aquelas são tão grandes que a nossa mesquinhez não as alcança, estas, pura e simplesmente as olvida e dá-as ao desprezo”, desabafou J.J. Silva.

O Grupo do “Espaço da Memória” procura angariar simpatias e novos colaboradores, não descartando a hipótese de criar uma associação ou fundir-se em outra que tenha os mesmos anseios e trabalhe nesta vertente Cultural.

Os promotores desta iniciativa, ainda embrionária, pretendem, num futuro próximo, lançar os “Cadernos da Memória”, um projecto editorial, despretensioso que sirva para divulgação e informação da actividade e das colecções do “Espaço da Memória”.


“Sabemos que há peças quase perdidas pelos sótãos e caves, que podem virar ferro velho passando a ser massa informe, sem rosto, sem nome, sem referência e sem memória referencial.” Referiu a organização.

O “Espaço da Memória faz o apelo aos detentores de peças antigas, visando a sua conservação… há sempre um lugar onde elas serão preservadas e situadas, devidamente catalogadas com a respectiva indicação da proveniência.


A organização gostaria de poder utilizar um espaço mais amplo, que permitisse optimizar a exposição, renovando-a ciclicamente e valorizando o espólio imprimindo-lhe o cariz didáctico que merece. Um espaço onde, sobretudo a comunidade escolar pudesse conhecer um pouco dos seus antepassados e ver pela primeira vez peças curiosas, únicas ou que sofreram evolução. Um espaço que viabilizasse exposições temáticas e permitisse inclusivamente trabalhar com os jovens em ateliês diversos, dando um contributo para uma saudável e enriquecedora ocupação dos tempos livres.

O “Espaço da Memória” não tem qualquer apoio oficial, nomeadamente da Autarquia local que não tem mostrado interesse no desenvolvimento deste projecto. Sublinhou J.J.Silva que escreveu: “A Memória não tem tempo nem espaço, é imaterial mas os seus rastos e as suas marcas materiais palpáveis poderão ter e estar num espaço onde se olhem e vejam como verdadeiras referencias e verdadeiras obras de arte que mãos humanas fizeram e com elas outras realizaram…”


O Grupo trabalha desinteressadamente, por mera carolice e sobretudo pelo gosto na preservação, valorização e divulgação de um Património Cultural móvel intrinsecamente relacionado com o Património Imaterial, do qual todos os dias de perdem importantes páginas da nossa memória colectiva.


O “Espaço da Memória” já existe em instalações cedidas pelas Galerias Belart, no nº 74 da Praceta Dr. Parcídio de Matos (Devezinha). Pode ser visitado e está receptivo a guardar aquelas peças que estão esquecidas em um qualquer canto.

Entretanto os promotores desta louvável iniciativa, no cumprimento do dever que todos temos em salvaguardar o Património Cultural, continuarão a sua nobre tarefa de resgatar para o futuro uma memória que estaria condenada a perder-se.







Criação de rede de núcleos de conservação e restauro em curso



O director do Instituto dos Museus e Conservação (IMC), João Brigola, anunciou hoje, em Braga, a criação de uma rede de núcleos de apoio à conservação e restauro de monumentos e do património histórico em Portugal.

A revelação foi feita durante um colóquio na Universidade Católica Portuguesa, em Braga, sobre o projecto interdisciplinar ‘A Arte e as Artes, o Túmulo de D. Afonso de Portugal da Sé de Braga’, que visou a restauração do túmulo do Infante português.

“Está em curso a criação e implementação de uma rede de núcleos de apoio à conservação e restauro que tem por objectivo monitorizar, fiscalizar e acautelar as intervenções em edifícios”, revelou João Brigola.

Com esta medida, o IMC visa “o reconhecimento internacional da qualidade dos trabalhos de restauro efectuados em Portugal e, também, garantir que os trabalhos de restauro em edifícios históricos são cientificamente coretos”, esclareceu o director do IMC.
À agência Lusa, João Brigola explicou o andamento da criação da rede.
“A criação desta rede nacional de núcleos de conservação e restauro está já em documento e discutido no conselho nacional de cultura, na secção de museus e conservação”.

O passo seguinte, segundo o diretor do IMC, é “encetar reuniões com as direções regionais de cultura e com as associações profissionais da área”.

Estes núcleos, explicou João Brigola, “podem ser constituídos por museus, por centros de investigação de restauro pertencente ou ao IMC/Ministério da Cultura ou às direcções regionais de cultura ou ao IGESPAR (Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico)”.

Questionado pela Lusa sobre a quem se destina esta nova rede, o director do IMC enumera “instituições como a Igreja, as câmaras municipais e algumas associações privadas”.

Quanto ao financiamento deste projecto, João Brigola adiantou à Lusa qual a verba necessária.

“Não há ainda noção exacta das verbas necessárias para este projecto. Estimamos uma verba de 2,5 milhões de euros para a instalação e depois para o funcionamento”.

Sobre o prazo para a implementação desta rede, o director do IMC calcula que “ao longo de 2011 irá ser estruturada”. “Será traçada a cartografia e mapografia e espero ainda que os núcleos que vão participar nesta rede fiquem já a funcionar com objetivos delineados. Isto em termos de IMC, com o apoio das direções regionais de cultura e do IGESPAR”.

Fonte: Antena Minho

FÁBRICA VEDA VISITAS ÀS RUÍNAS DO POVOADO CASTREJO DE SANTO OVÍDIO



Recentemente a fábrica “Modester” mandou colocar uma corrente com sinal de proibição na entrada do único acesso às ruínas Arqueológicas do “Castro de Santo Ovídio”.

Já não bastava esta unidade fabril ter ocupado a zona non aedificandi do Imóvel classificado (IIP), com estruturas “aberrantes”, supostamente clandestinas, como agora resolveu vedar a passagem aos visitantes!


Lembramos que a construção da fábrica (um erro do então IPPC) é posterior às escavações que trouxeram à luz do dia o conjunto de ruínas ali existente, sendo, na altura, aquele, o caminho público de acesso às ruínas.


 Assim vai o nosso Património Arqueológico!


As fotos foram tiradas hoje 1 de Janeiro de 2011 cerca das 15 horas.