“CRUZ DE CHUMBO E OUTROS POEMAS” TEVE A COLABORAÇÃO DA ATRIUMEMORIA



Imagem da capa e do CD-ROM da autoria de J.J. Silva


O livro de poesia da Autoria de Augusto Fera, lançado na tarde do dia 25 e Novembro de 2011, no auditório da Biblioteca local completamente cheio de público, teve a colaboração de dois artistas fafenses que integram a Direcção da Associação Atriumemoria. J.J. Silva e Filipe Sampaio cederam uma dúzia de obras plásticas que ilustram e dão rosto à capa deste livro de poemas de outro fafense talentoso que viu agora uma parte dos seus poemas publicados com a chancela da Junta de Freguesia de Fafe, que tanto tem contribuído para a divulgação cultural nesta Terra.
A Atriumemoria, também na linha da frente pela divulgação das Artes Plásticas.



Mesa que presidiu ao lançamento



O público que lotou a sala

                                     
O Mestre J.J. Silva



O artista Filipe Sampaio


Fotos: ATRIUMEMORIA (Jesus Martinho)






ATRIUMEMORIA ASSINOU PROTOCOLO COM O “CLUB FAFENSE”








No passado dia 18 de Novembro, a renascida agremiação “Club Fafense” celebrou um protocolo com a nossa associação, que foi assinado no decorrer de uma noite em que centenas de fafenses puderam, alguns pela primeira vez, visitar as instalações do “club Fafense”, ainda em fase de restauro e remodelação.
Numa cerimónia bem participada, realizada na “Quinta das Lamas”, o Club Fafense” assinou protocolos de colaboração com o Município de Fafe e oito Associações culturais de Fafe, entre as quais a Atriumemoria, que desta forma contribuirá, num futuro breve, para a dinamização cultural daquele espaço lendário promovendo eventos nas suas áreas de intervenção.
A Atriumemoria considera que estas parcerias entre colectividades são de vital importância para a emancipação da cultura fafense, proporcionando um maior envolvimento dos cidadãos.
“O Club Fafense” será futuramente mais um espaço privilegiado para a divulgação de valores culturais de uma Terra repleta de história e tradição que, em muitos casos, ainda está por conhecer e difundir.
















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“CULTURA EM MOVIMENTO” MOSTRA DE ARTE PLÁSTICA NA PASTELARIA “SÃOZINHA”










“Cultura em Movimento é uma iniciativa da Atriumemoria em parceria com o ateliê “Belart” de J.J. Silva. É uma mescla de Arte, Tradição, Memória e Património; uma irreverência cultural, uma fuga ao protocolo, levando Cultura ao encontro das pessoas.
Desta feita, o local escolhido foi a “Pastelaria Sãozinha” na Praça 25 de Abril em Fafe, onde estão expostos sete trabalhos da autoria do próprio J.J.Silva. Os quadros são representativos de cenas de um quotidiano já em desuso, uma memória quase perdida que o artista quis eternizar nesta belíssima colecção de pinturas a óleo.
“Cultura em Movimento” é uma dinâmica divulgativa de valores culturais genuínos onde têm lugar diversas vertentes artísticas que o cidadão anónimo tem também direito a usufruir.
Um bem-haja à Gerência da pastelaria “Sãozinha” que teve a sensibilidade e amabilidade de acolher esta iniciativa de grande abrangência divulgativa.


















CAPELA DE S. JOÃO



Também conhecida por Capela da “Fábrica do Ferro”, este templo apresenta uma traça arquitectónica neo-românica, bem patente no seu portal de arquivoltas assentes em colunas e em outros pormenores da estrutura.
A Capela de S. João, discretamente localizada no Bairro de S. Jorge, foi construída no início dos anos 60 do século XX. O acto inaugural, presidido pelo Arcebispo de Braga, ocorreu em 28 de Junho de 1964.
A construção deste belo templo, todo construído em pedra esquadrada, extraída numa pedreira próxima do local, deve-se à iniciativa do Engenheiro João Mendes Ribeiro e ao trabalho generoso de muitos operários da extinta Companhia de Fiação e Tecidos de Fafe (Fábrica dom Ferro) que erigiram esta capela, uma das mais belas do concelho de Fafe. 

  




A “ÚLTIMA CASA DO BAIRRO OPERÁRIO DA FÁBRICA DO FERRO”



Esta é, provavelmente a última casa de habitação original do Bairro Operário Manuel Cardoso Martins, construído nos anos 40 do século XX.

Bastante degradada, esta moradia que acolheu gerações de operários da extinta Companhia de Fiação e Tecidos de Fafe (Fábrica do Ferro) merece ser conservada e restaurada. Ela é o último testemunho das habitações que constituíram o bairro original, representando um Património que não pode ser votado ao abandono.

Apesar e reduzido, este edifício quase septuagenário, poderia ser transformado em um núcleo interpretativo de um quotidiano operário já desaparecido, uma memória que importa legar às gerações vindouras.

Já se deixou perder tanto Património da antiga “Fábrica do Ferro" !









CALÇADA E PONTE DO SABUGAL AGUARDAM RECUPERAÇÃO


Troço da calçada do Sabugal


Caminho antigo que liga os lugares do Sabugal da freguesia de Fafe e Ribeira na Freguesia de Antime.

Trata-se de um estreito percurso empedrado e murado, em alguns locais, que sai do lugar de Sabugal a Poente da desactivada “Fábrica do Ferro”. A velha calçada segue em sentido descendente até ao Rio Ferro onde existe um pontão ameaçado. Era aqui que se fazia a travessia do rio, ligando as freguesias de Fafe e Antime.

O pontão com cerca de 12 metros de comprimento, 2,5m de largura e aproximadamente 1,5m de altura, foi construído com blocos de granito da região, toscamente afeiçoados. O tabuleiro é plano e constituído por compridas e estreitas lajes que assentam em cinco pilares de vários blocos sobrepostos, apresentando superfície lisa para jusante e em cunha para montante de forma a cortar o caudal. Esta construção, contrariamente ao que foi já divulgado, não é de época medieval. Em meados do século XVIII, este pontão ainda não existia.

Pontão do Sabugal visto de montante


Pontão do Sabugal visto de jusante



A característica construtiva desta passagem fluvial leva-nos a acreditar que a sua época de construção possa ser recuada, quando muito, aos meados do século XIX.

A ligação medieval entre as margens do Rio Ferro, nesta zona, fazia-se pela ponte do Lombo, esta sim com data muito anterior.

O pontão do Sabugal parece ter sido construído com o propósito de facilitar o acesso, primeiramente aos “Moinhos do Ferro”, núcleo moageiro inicialmente designado por Companhia Industrial de Fafe e depois, a partir de 1887, permitiria a transposição do rio aos numerosos operários que diariamente se deslocavam das freguesias de Armil e Antime para a importante Companhia de Fiação e Tecidos de Fafe (Fábrica do Ferro).




Outro troço da calçada do Sabugal



A calçada e o pontão do Sabugal encerram uma história com mais de um século que importa conservar e valorizar.

A calçada ainda se encontra em razoável estado de conservação, enquanto o pontão carece de uma intervenção urgente de consolidação e restauro.

A Junta de Freguesia de Fafe tem intenção de recuperar este velho percurso recheado de memórias.

A ATRIUMEMORIA e certamente muitos homens e mulheres que por ali passaram para ganhar a vida gostariam de ver o caminho e o pontão recuperados, transformando-o num percurso pedonal retomando a ligação dos lugares de Sabugal e Ribeira, respectivamente na margem direita e esquerda do Rio Ferro.



As fotos incluídas neste apontamento foram recolhidas pela equipa da Atriumemoria em reconhecimento efectuado no sábado 5 de Novembro de 2011.

CAPELA DE S. JOSÉ


Capela de S. José

Nos séculos 17 e 18 assiste-se, sobretudo na região minhota, a um aumento significativo da prática religiosa cristã. Tornava-se imperioso que a Igreja católica correspondesse àquela extraordinária crença das populações, tanto mais que a maior procura das práticas religiosas motivou um aumento significativo das receitas para a Igreja, enriquecendo-a ainda mais. Grande parte dos templos minhotos foram remodelados e novas igrejas e capelas foram edificadas. Pessoas mais abastadas deram o seu contributo para este fenómeno sem precedentes, promovendo a construção de lugares de culto, nomeadamente pequenas capelas, anexadas às suas moradias.
“Mas construir de raiz uma capela não era fácil, porque obrigava à consignação de um número muito razoável de bens para a sua fábrica”.
Não bastava edificar o templo, era condição “sine qua non” legar à Igreja uma parte significativa da riqueza dos novos benfeitores em nome de “Deus”.

Fachada da Capela de S. José

José de São Paio, abastado proprietário, morador no lugar do Tojal, junto à Ponte Nova, requereu, em 18 de Fevereiro de 1753, a construção de uma capela em honra do seu nome. O pedido alega que o preconizado templo serviria também os moradores dos lugares de Portugal e “Moinhos do Ferro”.
José São Paio viu autorizado o seu pedido em 15 de Abril de 1753. O documento incluía uma escritura pública com o dote para a fábrica e conservação da capela do qual citamos aqui o excerto seguinte: … Sua propriedade de casas, campo e hortas, com suas árvores de vinho, fruto e sem ele, e com suas oliveiras, chamado de Portugal, da mesma freguesia de Fafe, o que tudo disse era herdade dízima a Deus de que se não paga renda alguma, que bem vale cento e cinquenta mil réis e rende a meada, um ano por outro, cinco mil réis…”
Cerca de dois anos depois da autorização, em Dezembro de 1755, a capela estava erigida.

No dia 4 de Fevereiro do ano seguinte, foi expedida uma licença para a prática cultual. “… Acha-se acabada e com perfeição, com retábulo de pedra, bem lavrada, forrada e rebocada, tem paramentos próprios e não necessita mais que de licença de Vossa Alteza Sereníssima para poder benzer-se e celebrar-se os ofícios divinos…” Um excerto da informação que o pároco de Fafe, José Lopes de Paiva, enviou para o Arcebispado Primaz de Braga, em 25 de Janeiro de 1756.
A licença, que custou 180 réis, foi emitida cinco dias depois por D. José, Arcebispo de Braga. “… Concedemos a licença a ele dito pároco para que, na forma do ritual Romano, possa benzer a capela de São José de que trata, e ao depois de benta nela se possam celebrar os ofícios divinos…”
A capela de S. José abriu ao culto em 30 de Janeiro de 1756, quase três anos depois do pedido de construção.
Algumas características arquitectónicas deste templo revelam um arcaísmo pouco usual em setecentos. O belíssimo retábulo, todo ele em granito lavrado, é um caso raro em capelas do século 18.


Vista parrcial do interior da capela de S. José

Eduardo Pires Oliveira referiu: … “Esta capela de S. José assume-se assim, não só como mais um templo importante para o culto de uma parte significativa da freguesia de Santa Eulália de Fafe mas, também, como um templo mandado edificar por gente de certas posses, por alguém que preferiu mandar levantar uma capela em pedra lavrada, adornada por alguns elementos fortemente decorativos, em vez de um templo construído de pedra irregular, coberta por reboco e cal branca que teria sido muitíssimo mais barato, mas também muito menos espectacular”.
Os actuais proprietários da capela são um exemplo positivo na salvaguarda do património arquitectónico. Ao longo do tempo têm promovido obras de conservação e restauro que preservam aquela pérola do património religioso de Fafe.